quarta-feira, 26 de julho de 2017

Confirmado: pintura padronizada é para encobrir irregularidades no transporte

Um comentário que recebi de outro entusiasta, cuja identidade será preservada, confirma a minha crença sobre o verdadeiro motivo da pintura padronizada, aquela mania de gestões de mandar pintar os ônibus com uma só pintura estipulada (com poucas alterações), impossibilitando ou pelo menos dificultando a identificação das empresas operadoras, além de servir de propaganda das secretarias de transportes.

Inventada em Curitiba pelo prefeito biônico Jaime Lerner, hoje consultor do governo de Michel Temer, a medida foi inspirada nos veículos militares e não deixava nenhuma chance de identificação fácil sobre as empresas, permitindo a identificação apenas dos consórcios, que são entidades abstratas, quase irreais. Apenas os entusiastas e técnicos das secretarias de transporte conheciam os meios de identificar as empresas. 

Segundo o entusiasta que me escreveu, o objetivo da pintura padronizada é impedir que os usuários entrem em contato direto com as empresas na hora de reclamar sobre problemas, transformando as secretarias de transportes em intermediárias entre as empresas e os usuários. Isso traz desvantagens, como perda de tempo e expectativa pela boa vontade da prefeitura, o que não raramente falha.

Prefeituras já demonstraram incompetência na gestão do transporte público. Empresas públicas de transporte sempre morreram reduzidas a montes de sucata. Entregar a elas a gestão é um erro, pois em sistemas "curitibanizados" a responsabilidade das empresas diminui e as secretarias de transporte quase sempre negligenciam a administração do trasporte, que acaba sendo precária.

A padronização visual favorece a corrupção e outros tipos de irregularidades, pois não deixa a população perceber quais empresas estão servindo em suas cidades. Não adianta nomes em letras quase ilegíveis se à distância eles não são sequer percebidos. Com isso, empresas e secretarias de transporte fazem o que querem bem longe dos olhos da população, que não raramente é prejudicada no seu direito de ir e vir.

Curioso que em sistemas "curitibanizados" são feitas licitações, o que deveria por lógica favorecer a identificação de empresas, já que isso tem muito a ver com a satisfação do interesse público. Mas consagrou-se o erro de achar que "público" tem a ver com interesse de políticos e não o da população, como é dito pela lei.

É bem desvantajosa a padronização de pinturas e contaria o interesse público e o direito a propriedade (que não deve ser abusado, nem ignorado). Ônibus não é brinquedo de secretarias de transporte. Seria melhor que a identidade visual das empresas fosse repeitada. Até porque na hora dos bilhetes únicos, as secretarias de transporte exigem identificação dos usuários. Porque não exigir a identificação das empresas operadoras?

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