domingo, 2 de julho de 2017

Estação Mussurunga para comemorar o Dois de Julho

Hoje é um dia importante para os baianos, que comemoram um do movimentos que ajudaram o Brasil a se livrar dos domínios de Portugal. Infelizmente nunca fomos uma nação realmente independente, pois sempre há países se intrometendo em nossa soberania, fato confirmado pelo golpe político/econômico feito no ano passado. Mas sempre sonharemos com a independência e as celebrações de hoje servem para nos inspirar e lutar pela retomada da soberania.

Como forma de parabenizar os baianos e de entrar no clima da comemoração, coloco aqui fotos que eu cliquei durante uma viagem que eu fiz a Salvador, em abril do ano passado, na Estação Mussurunga, que serve a região do entorno da Avenida Paralela, uma das mais importantes da cidade.

Como está prestes a se integrar com o sistema do metrô, é certo de que se tonará uma das mais modernas da capital, como aconteceu com a Estação Pirajá, hoje uma das mais modernas e belas estações de ônibus do país. Curtam as fotos clicadas por mim em 2016, com nove fotos na parte interna da estação e uma mostrando o estoque de ônibus aguardando para serem utilizados nas linhas.











sexta-feira, 30 de junho de 2017

Isolados nas redes sociais, busólogos desconhecem que pintura do Rio de Janeiro poderá mudar

A maioria dos brasileiros se encontra isolada nas redes sociais, fato complementado pela confiança cega na grande mídia e na aversão a leituras mais aprofundadas. Infelizmente, suas únicas fontes de informação são os meios de comunicação tradicionais e as redes sociais. Nos primeiros, há grandes empresários, entre donos e patrocinadores, interessados em impor seus pintos de vista. Nas segundas, há cidadãos mal informados que se divertem em espalhar boatos e lendas que comumente se opõem a fatos que ocorrem na realidade.

Quando eu fiz a série sobre a possível volta das pinturas personalizadas na frota municipal do Rio de Janeiro, ficou a impressão de que fui eu que inventei esta estória, por ser um dos maiores interessados para que a padronização de pintura se encerre. Mas eu não gosto de mentir e se alguma notícia falsa é divulgada por mim é por boa fé, por confiar nas fontes onde eu pego um informação. Pessoas erram, pessoas mentem. Mesmo fontes confiáveis podem errar de vez em quando.

Secretário de transportes é contra padronização de pinturas

A série de postagens se iniciou graças a uma entrevista que eu li dada pelo secretário de transportes da gestão Crivella, Fernando McDowell. McDowell demonstrou intenções de eliminar a pintura padronizada da frota municipal. Em 2010, quando a medida foi implantada pelo prefeito do PMDB, Eduardo Paes, McDowell fez críticas a medida, pois entende que a identificação de empresas é uma medida que facilita a vida do usuário, respresentando respeito à população e ao resultado das licitações. Até agora, Feira de Santana, na Bahia é a única gestão das que fizeram licitação permitindo a pintura diversificada.

Como McDowell é secretário de transportes, responsável pelo sistema de ônibus na capital fluminense, será dele a decisão sobre o que irá acontecer com a pintura dos ônibus cariocas. Ele está prestes a lançar o novo sistema de ônibus que trará de volta linhas importantes, extintas de forma irresponsável pela gestão anterior. Como está demorando bastante para lançar o novo sistema, antes previsto para abril, subentende-se que haverá novidades sobre a pintura, possivelmente a volta da pintura diversificada. 

Pintura de 2010 simboliza decadência do sistema de ônibus carioca

Sabe-se que no mínimo a pintura atual está com os dias contados, mesmo que seja substituída por outra padronização de pintura. A pintura de 2010 ficou com um péssimo estigma por marcar a decadência do sistema da ônibus carioca, outrora um dos exemplares.

Mas muitos entusiastas, conhecidos como "busólogos" desconhecem a possibilidade de mudanças e acreditam - uns até querem - que esta pintura seja mantida. A acelerada renovação de frota ocorrida nos últimos meses, ainda com a pintura de 2010, dá uma ilusão de que as coisas continuarão como estão. Mas sempre é bom nos informar melhor e saber que nem tudo dura para sempre. Não há mal que sempre dure e não há bem que não se acabe. Pode ser que a "Viação Eduardo Paes" esteja com os dias contados. É ver para crer.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Do contrário de rumores, donos da CAIO resolveram ressuscitar a Busscar

Estava praticamente certo que a CAIO compraria a estrutura da Busscar para fazer a sua linha rodoviária, mas usando seu próprio nome e não da falida encarroçadora. Rumores davam como quase certa que a estrutura comprada serviria apenas para fazer a linha Solar decolar.

Mas uma nota divulgada no site do radialista e estudioso de transportes Adamo Bazani revelaram que os donos da CAIO resolveram ressuscitar mesmo a Busscar.

Possivelmente será uma Busscar meio "Caiocizada" e desvinculada da filial colombiana, hoje bem sucedida e com novos e belos modelos. Aliás é bem estranha esta estória de filial bem sucedida de matriz falida e mais estranha é a falta de interesse da filial colombiana em ajudar a matriz.


O que revelou a volta da encarroçadora é um site em que pede currículos e anuncia uma "nova história" para a firma, com direito a logomarca mais recente utilizada pela empresa em sua fase final. O antigo executivo da Busscar, Sérgio Souza, será o novo gerente na nova fase, o que pode indicar, para a minha alegria, uma possibilidade da nova Busscar não se tornar uma nova "CAIO".

Tendo ou não cara de Busscar Induscar, criando uma rima interessante, é uma excelente notícia a volta da Busscar. Torço para que a  encarroçadora mantivesse suas características na nova fase, se inspirando cada vez menos na CAIO. 

A Busscar, incluindo a fase Nielson sempre se destacou perante as outras encarroçadoras e pelo conjunto da obra foi considerada a melhor encarroçadora do país, com clientes fiéis como a niteroiense Fortaleza e a soteropolitana BTU.

Desejamos boa sorte a fase nova da empresa, mesmo vinculada ao grupo CAIO Induscar.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ônibus túnel gera polêmica na China e consequentemente é abortado

Durou pouco a euforia pelo mais revolucionário transporte coletivo do mundo: O Stradding Bus, que também chamado de "Ônibus Túnel" e que no projeto original era conhecido como TEB (Ônibus Elevado de Trânsito, em inglês). Falamos dele em outra postagem deste blogue. Uma enorme polêmica envolveu o projeto e o protótipo acabou abandonado.

A mídia local começou a questionar o projeto, observando limitações e acusando o projeto de ser uma armação para gerar dinheiro ilegalmente. O que se sabe é que os testes ocorreram numa pequena área com apenas 300 metros e especialistas atentam que tais eram insuficientes para mostrar as vantagens do projeto.

Alegam que o tipo de transportes não está adaptado para as características de várias estradas e que o projeto é baixo demais para os tipos de veículos que rodam na China. A fama de maus motoristas dada aos chineses também preocupou. Afinal, quem conduzirá o enorme veículo?

O projeto ficou abandonado na pista de testes, colocada ao lado de uma estrada, limitando a sua largura. Motoristas reclamam que o projeto virou um "elefante branco" a atrapalhar o transito na localidade. O projeto será revisado e o resultado da revisão apresentado em 2018.

Uma pena que este projeto tenha rendido tanta polêmica. Eu gostei dele. Tomara que não desistam e aperfeiçoem o projeto, observando o maior número de condições possíveis.

Enquanto isso, o BRT carioca está sendo um estrondoso fracasso. Não passando de um projeto de 40 anos atrás caracterizado por um articulado comum a andar superlotado em trajetos mal bolados. Ninguém da mídia se levantou para reclamar. Parece que a mídia, comumente aliada com interesses de patrocinadores, adora projetos ruins e detesta boas ideias.



domingo, 4 de junho de 2017

Linha 52 de Niterói agora passa em Charitas

Em Niterói, uma boa alteração de itinerário que já começa a beneficiar muitos moradores dos bairros no entorno do novo túnel Charitas-Cafubá. A linha 52, que liga Itaipu, principal bairro da Região Oceânica ao bairro de Baldeador, na região da RJ 104 e no limite norte com o município de São Gonçalo, ampliou bastante seu itinerário e agora serve aos moradores de São Francisco e proximidades.

Antes a linha 52, uma das poucas do município que sequer chega perto do centro da cidade, saía de Itaipu até a altura do Shopping Itaipu (que apesar do nome, não fica em Itaipu mas na parte externa de Cafubá) rumo ao acesso da Estrada Caetano Monteiro, que leva ao Baldeador, destino final da linha. Agora passa por todo o bairro do Cafubá, alcança o túnel, chega a Charitas e segue pela Estrada da Cachoeira até Largo da Batalha, onde segue através da Caetano Monteiro para seu destino final.

Apesar do prolongamento significativo de itinerário (abaixo um mapa dará noção da distância entre os bairros), é uma alteração útil. Além de atender aos moradores dos bairros que não eram servidos pela linha, serve também como opção mais rápida para moradores dos bairros já atendidos pela linha para irem ao Rio de Janeiro através das barcas.

Não fui informado se a linha fará parte do sistema BHLS, apesar de andar nas vias exclusivas reservadas ao serviço. Opera atualmente com ônibus comuns. Fui informado que a aquisição dos veículos BHLS ainda se encontram em estudo, pois além das características dos veículos não estarem definidas, há o problema de custos, se são viáveis ou não. Creio que optarão por ônibus comuns, de motorização dianteira, mas com portas nos dois lados, como há em Teresina do Piaui. São mais baratos para adquirir e tem manutenção fácil e menos onerosa. 

De qualquer forma, fiquei feliz com o prolongamento da 52, que também ajudará na ampliação de demanda para a linha local, que não serve o centro da cidade. E com isso se espera o crescimento de infra-estrutura dos bairros agora servidos pela linha, com várias áreas de características semi-provincianas, com comércio escasso e ruas pouco movimentadas.


terça-feira, 30 de maio de 2017

Real vende FAOL e três grupos passam a administrar a empresa

A bela e simpática cidade de Nova Friburgo está em alerta sobre o seu sistema de ônibus: a FAOL (Friburgo Auto Ônibus Ltda.), tradicional empresa da cidade, existente há décadas, deixou de pertencer a grupo Real Auto Ônibus, que havia adquirido a empresa em 2012.

A FAOL agora passa a ser administrada por uma espécie de consórcio formado por três diferentes empresas: Coesa, de São Gonçalo, Expresso Recreio, de Itaguaí e Pavunense, do Rio de Janeiro, todas sem relação umas com as outras. A mudança já começa a ser posta em prática na segunda feira próxima, dia 04/05.

Muita coisa vai mudar na empresa, que tinha características semelhantes ao grupo que acaba de vendê-la. A pintura com certeza irá mudar, já que a sua estampa segue a estética do grupo Real, já observada na empresa de fretamento Reitur. Provavelmente, com o possível fim da padronização visual na capital fluminense, a pintura amarela da FAOL (que tinha cores diferentes por causa da área de operação) será a pintura da Real na retomada de sua identidade. A variação de três cores provavelmente será mantida.

Quanto aos carros, ainda e um mistério, pois as três novas donas tem características bem diferentes. Vamos aguardar o desenrolar dos fatos. O bom é que os friburguenses não ficarão sem ônibus e como as três novas donas são de empresas exemplares tanto na operação como na aquisição/conservação da frota, nítidas melhorias estão senso esperadas.

Como forma de criar perspectiva, coloco aqui fotos dos carros mais novos das empresas responsáveis pala nova fase da tradicional FAOL.



domingo, 21 de maio de 2017

Conheça o Túnel Charitas-Cafubá

Nos dias 10, 13 e 17 (os dois primeiros no lado de Charitas e o último no lado de Cafubá), eu estive conferindo pessoalmente e fotografando as partes externas do túnel Charitas-Cafubá, que liga o bairro da região de São Francisco (Charitas) a um dos primeiros bairros da chamada Região Oceânica,(Cafubá). A prefeitura atual considera a sua principal obra.

Apesar de ser uma obra extremamente importante, não é a única coisa a se fazer em Niterói, que tem um dos trânsitos mais caóticos que eu já vi. Mesmo assim, quem mora nas regiões citadas foi beneficiado por um acesso mais rápido que também pode melhorar a urbanização das citadas áreas.

Cliquei várias fotos, mas selecionei as 20 mais relevantes para esta postagem. A observar:

Lado Charitas (dias 10 e 13 de maio de 2017):
Foto 01 e 02: Externa do túnel do lado de Charitas.
Foto 03: Rótula na saída do túnel e que serve de retorno para os ônibus que servem o bairro.
Foto 04: Ônibus de piso baixo fazendo o trajeto do futuro BHLS em direção ao túnel.
Foto 05 e 06: Futura estação do ônibus BHLS em Charitas.
Foto 07 e 08: Parte interna do túnel no lado Charitas (OBS: no dia 17, não fui autorizado a fotografar o interior no lado Cafubá).
Foto 09: Ônibus de piso baixo indo à estação após sair do túnel.
Foto: 10: Cartaz de propaganda sobre o túnel colocada na rótula de retorno.

Lado Cafubá (dia 17 de maio de 2017):
Foto 11: Ônibus de piso baixo no principal largo de acesso ao bairro.
Fotos 12, 13, 14 e 15: Via do BHLS em parte de sua extensão.
Foto 16: Placa eletrônica que avisa a situação de trânsito no túnel.
Foto 17: Ônibus intermunicipal fazendo linha para a capital, em direção ao túnel, após fazer "escala" em Cafubá.
Foto 18: Canteiro de obras do túnel.
Fotos 19 e 20: Externa do túnel no lado de Cafubá.











sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amparo adquire seu primeiro urbano com ar condicionado

Desde os anos 70, no Brasil, ônibus em linhas regulares municipais e metropolitanos passaram a ter veículos equipados com ar condicionado. Mas era uma exclusividade de carros rodoviários, aqueles ônibus com uma porta e poltronas que são fabricados para linhas de longa e média distância. No final da década de 90, foi permitido para que ônibus urbanos também pudessem ter ar condicionado, como ocorre em países mais desenvolvidos.

O Rio de Janeiro foi e é ainda o estado que mais tem ônibus urbano com ar condicionado. Pouquíssimas empresas ainda não tem urbanos refrigerados. Algumas cidades ainda não autorizaram o equipamento para frotas municipais, como em São Gonçalo. mesmo assim, a refrigeração dos ônibus urbanos no Rio de Janeiro segue constante e crescendo gradativamente.

Uma das poucas empresas que ainda não tinha equipado a frota urbana com ar condicionado foi a Amparo, de Maricá. Nos anos 80 nem mesmo a sua frota rodoviária era refrigerada. Apenas a frota rodoviária, que foi se ampliando com rapidez, com várias linhas para o centro do Rio, adquiriu, ainda no final dos anos 90, carros refrigerados.

Mas algo observado com relativa discrição no Ônibus Brasil, fotografado pelo busólogo Matheus Lucas mostrou uma grande novidade na empresa: após anos, desde que as empresas passaram a equipar urbanos com aparelhos de ar condicionado, a Amparo apresenta seu primeiro urbano refrigerado.

É um carro da Apache Vip IV, modelo da encarroçadora CAIO, com motorização Mercedes Benz 1721L como nas aquisições mais recentes. A diferença é a refrigeração no salão de passageiros. Nenhuma informação a mais sobre o carro foi publicada. O carro fotografado, ainda sem número, continua em Botucatu, sede da encarroçadora.

A Amparo é uma das melhores empresas da região metropolitana do Rio de Janeiro. Seus carros são conservadíssimos e suas linhas tem uma enorme quantidade de carros, reduzindo bastante o tempo de espera nos pontos. A aquisição do refrigerado vai melhorar o que já era considerado excelente. Os usuários e admiradores da empresa, especialmente os moradores de Maricá, sede da empresa, comemoram e agradecem.

domingo, 30 de abril de 2017

Belas aquisições para Niterói

Hoje vou falar como entusiasta, mas sem deixar de lado a minha condição de usuário. Duas grandes novidades estão chegando para Niterói e a curto prazo poderei ver pessoalmente e registrar com fotos próprias. Para esta postagem, utilizo fotos de outros entusiastas, Marcus Perez Correa e Matheus Henrique, manifestando meu respeito através da preservação dos créditos.

A primeira novidade é a renovação da Transoceânico, através de sua divisão, a "Fortaleza", que estava sem renovar desde 2013 (as outras divisões da Transoceânico continuavam renovando). A novidade ficou por conta da variação de carroceria e chassis, recebendo cerca de 5 Neobus Mega Plus com chassis Mercedes Benz. A empresa era freguesa da CAIO e montava seus ônibus sobre chassis Volkswagen. 

Os carros da Transoceânico vem equipados com ar condicionado e o seu elevador para deficientes é um pouco diferente, com uma porta pequena embaixo da porta do meio, em folha única, de onde sai o equipamento para a montagem do elevador, que é montado e desmontado, sem prejudicar o espaço interno do ônibus. Os carros estarão reservados para a linha 53 (Viradouro-Centro) e devem substituir os Busscar Ecoss de uma porta e sem elevador, comprados quando eu ainda morava em Salvador.

Parceira da Marcopolo durante décadas, Mauá compra CAIO

A outra novidade, apesar de não envolver mudança de chassis, é ainda mais impactante. A Mauá, tradicional compradora da Marcopolo, a ponto de criar. junto com a encarroçadora. uma versão popular para o Viale, modelo que saiu de cena ano retrasado, chega agora com seus primeiros CAIO Apache Vip IV, mantendo o chassis Mercedes 1721 das últimas aquisições.

Apesar da empresa ser gonçalense, a linha a receber os carros é a que liga o centro de Niterói ao centro do Rio, a 101, provavelmente transferindo os Torinos 2014 para os setores SG/Rio (Méier e Campo Grade), que deverão perder os últimos Viales encerrando de vez a presença da estimada carroceria na empresa.

A última vez que a Mauá comprou CAIO foi nos anos 70, na verdade recebendo carros das empresas que comprou, como a Expresso Alcântara (que servia as linhas SG/Rio que mencionei) e a Floresta (das linhas para Amendoeira e Jóquei). Eram modelos da Bela Vista e da Gabriela II. Há uma foto de um Mauá municipal com o primeiro modelo, alterado com máscara de Gabriela.

Como eu disse, estas duas aquisições serão vistas por mim pessoalmente a curto prazo e poderei fazer fotos próprias delas. Agradeço a Marcus e Matheus por terem feito tais registros dessas grandes novidades.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

"Novos" sistemas de ônibus visavam somente copa e olimpíada

Lembram quando foi anunciada a revolução dos sistemas de ônibus pelo país, inspirados no exemplo de Curitiba, que prometeriam modernizar radicalmente os sistemas de ônibus por todo o país? Nos últimos anos verificou-se que o modelo anunciado, que apenas foi implantado parcialmente, sendo aos poucos desmontado. 

Além de empresas se livrarem de carros em configuração avançada, várias obras e implantações se encontram inacabadas ou foram canceladas ou diminuídas. Várias empresas, como a 1001, a São Silvestre e a Pendotiba venderam carros de piso baixo (que chegou a ser anunciado para ser implantado para toda a frota intermunicipal), num sinal de evidente retrocesso. Mas porque assim de repente, todo o avanço prometido começa a ser desfeito?

Raciocinando bem, observando os prazos, percebe-se que toda aquela conversa de que os sistemas iriam ser bastante avançados tinha muito a ver com a copa e olimpíadas, como forma de enganar os turistas para que estes pensassem que os sistemas de ônibus no Brasil eram evoluídos. Com o fim dos eventos, as autoridades e empresários entenderam que não seria mais necessário estes avanços e tudo foi para o ralo, de volta aos desconfortáveis "caminhões" de motorização dianteira. Lembra muito a estória da Gata Borralheira e da carruagem que vira abóbora após o fim da festa.

É um baita retrocesso e uma revelação de que fomos todos enganados, entusiastas e usuários de transportes. cada dia que passa, os sistemas pioram e fica cada vez mais complicado utilizar os sistemas de transporte coletivo. Se não bastasse a utilização de cartões-pegadinha com prazos limitados e processos humilhantes de recarregamento para tentar baratear a sua utilização. Com isso tem-se a certeza de que as autoridades governam para quem tem carro e para felizardos donos de automóveis sempre há todo o respeito a utilização de transporte particular.

Já para quem não possui carro, o direito de ir e vir supostamente garantido de lei, passa a não ter mais valor. No país do golpe jurídico, nenhum tipo de delito praticado por autoridades se torna impossível de se praticar sem punição. O cidadão que se vire se quiser viver com uma precária dignidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Os louváveis casos de Aracaju e de Feira de Santana

Encerrada nossa análise sobre que poderá ou não cancelar a sua pintura padronizada pelo país, hoje vamos a dois casos em que houve o retorno da diversidade visual que permite a identificação de empresas por meio de pinturas personalizadas: Aracaju, em Sergipe e Feira de Santana, na Bahia.

Vou também falar um pouco da minha cidade-natal, Florianópolis, que retomou a diversidade visual na década de 90 mas retomou o fardamento no início da década de 2010 com um sistema que cancelou qualquer forma de identificação das empresas, informação secretamente exclusiva nas mãos de autoridades e entusiastas, compulsoriamente omitida para a população.

Porque padronizar a pintura dos ônibus?

Para início de conversa, faço esta pergunta para responder o porquê da intenção da maioria das gestões do transporte em impor o fardamento dos ônibus em cada cidade. A coisa é meio complexa, mas não difícil de entender. Vamos lá.

No Brasil, o sistema de ônibus de cada município se dá por meio de concessão. O sistema em si é público, mas operado por empresas privadas. Já se tentou criar empresas públicas de transporte, mas em todos os casos, até onde eu sei, a iniciativa fracassou. As autoridades encontraram outra ideia para deixar claro a população o fato de que quem está oferecendo o transporte é o poder público e não as empresas privadas, que são apenas operadoras contratadas do sistema.

Como operadoras do sistema de concessão, as empresas atuam como pessoa jurídicas que se tornam funcionárias da prefeitura. E como tais, devem usar uniforme da prefeitura. Em Curitiba, no ano de 1974, no auge da ditadura militar, Jaime Lerner, criador do sistema, decidiu colocar uniforme nos ônibus, inspirado nos veículos militares, com um número do lado e o nome da cidade em destaque. Criou-se a pintura padronizada, onde a empresa perde o direito de expor a sua marca ao público usuário.

Inspirado neste caso, Eduardo Paes, então prefeito do Rio, acreditando no estigma de "melhor sistema" consagrado pela capital paranaense - hoje palco da parcial operação político-jurídica Lava Jato  e cidade onde o fascismo cresce de forma alarmante - em 2010, decidiu implantar a pintura padronizada na frota carioca, dando início a pior fase do transporte na capital fluminense, hoje em séria crise econômica, política e cultural.

Claro que o fardamento não é indispensável. Em 1992, Salvador colocou o logo da prefeitura na pintura individualizada dos ônibus, em respeito à diversidade visual e aos usuários que desejam saber quem opera os ônibus em sua cidade, mesmo que seja em nome da prefeitura local. Ou seja, seria ideal que não houvesse padronização, como um funcionário que só precisa de um crachá para ser identificado como funcionário.

A diversidade visual de Aracaju

Aracaju, junto com a região metropolitana de Sergipe, tem um sistema de ônibus bastante organizado, mesmo tendo uma pintura de frota bastante diversificada. Até poucos anos tinha a pintura padronizada, mas com variação de cor por empresa e destaque para a logomarca de cada uma. Mas hoje, cada empresa tem a sua própria pintura, bem diversa uma da outra. O BRT tem pintura própria, mas destacando o nome da empresa na lataria.

O curioso que para compensar a diversidade visual dos ônibus, os funcionários de qualquer empresa é que tiveram a uniformização padronizada. Todos os funcionários, seja de qualquer empresa, na capital sergipana, usam exatamente o mesmo uniforme, com a logomarca da empresa colocada discretamente.

Feira de Santana: primeira licitação sem fardamento

Feira de Santana pode se gabar de ser a primeira cidade, e por enquanto a única, do país a entrar na nova onda de licitações sem impor um fardamento que destacasse o  sistema em si e não a empresa. Mas quase não iria ser assim.

Adotante da pintura padronizada por muitos anos, no anúncio de sua nova licitação, poucos anos atrás, houve um boato de que a pintura seguiria critério parecido com Curitiba, com cor mudado de acordo com o tipo de serviço. Houve outro boato de que entusiastas seriam os responsáveis por criar as tais pinturas. Não deu nem uma coisa, nem outra.

Com a vitória da licitação, as empresas vencedoras, duas famosas empresas paulistas, Rosa, de Tatuí (que opera fretamento em Niterói) e São João Votorantim, de Votorantim, foram liberadas para colocarem as suas próprias pinturas em suas frotas.

Isso fez com que o sistema de Feira de Santana fosse o primeiro sistema pós-2010 a dispensar da exigência de licitação a imposição de uma pintura criada a pedido do sistema de transportes. A Rosa escolheu como pintura uma alteração leve da estampa que utiliza em Tatuí. A São João Votorentim optou por criar uma inédita, muito bonita por sinal. 

Aliás,a s duas pinturas são lindas, enchendo de beleza as ruas da já bela Feira de Santana. Hoje a cidade baiana segue firme com a sua diversidade visual, permitindo ao usuário o conhecimento das vencedoras da licitação feirense.

Florianópolis - o cancelamento de algo que deu certo

Tem gente que não raciocina direito. Não raramente alguém, com intenções de se igualar a outrem, desiste de uma boa ideia, com sucesso garantido e adota outra, logicamente destinada ao fracasso. Foi o caso de Florianópolis, a capital catarinense, que nos anos 90 aboliu a pintura padronizada para retomá-la em 2011, de forma bastante anti-democrática.

O sistema tem cerca de 5 empresas municipais. Até o final dos anos 80, havia uma padronização visual que, como no caso de Aracaju na mesma época, a cor variava conforme a empresa. Nos anos 90, esta padronização foi cancelada e as empresas passaram a adotar a diversidade visual, cada uma com pintura e logomarcas bastante diversas. Foi um sucesso!

Mas em meados de 2011, nas intenções claras de imitar o sistema do Rio de Janeiro, a capital catarinense resolveu cancelar a diversidade visual e reuniu as empresas em um confuso balaio de gatos chamado "Consórcio Fênix", com uma só pintura, plagiada da cidade paulista de Limeira e sem qualquer forma de identificação de cada empresa, do contrário da padronização encerrada nos anos 90.

Mostra que em prol de um modismo, pode se adotar ideias fracassadas que não ajudam em nada na melhoria do sistema e escondem do usuário que paga tanto a prefeitura (por meio de impostos) quanto o sistema (pelo pagamento da passagem), o direito de se informar sobre as empresas licitadas que operam em sua cidade.